15/12/13

Duro de Roer!


Amo a vida com os seus defeitos e com as suas alegrias fabulosas, 
Amo a vida com os que amo, com os que me amam a mim
Amo a vida com os outros e com aqueles assim assim 
Amo a vida com pelo na venta sem medo de sinas ditosas, 

Amo a vida que não seja ignorância que não se abstenha de dizer,
Nem que ela me rebente as entranhas, nem que me faça sofrer
Amo a vida com sede do mundo inteiro que o resto da vida hei-de beber, 

Amo esta  vida que hei-de continuar a dizer que mesmo sendo tão dura, 
Pode ela até  endurecer, que tanto me faz ser dura ou não ser 
Que tão dura de viver que ela queira ser não me levará o querer
De não deixar de ser e de a viver, raios me partam se assim não fizer,
Que a vida queira que não queira, como um osso duro de roer! 

22/10/13

Convite fim de semana a dois

03/10/13

A Sul, à margem



Conforme imagem captada pelo sistema de video vigilância da Dunas, concessionária das rotas do deserto, os acessos sul, à ponte Vasco da Gama, por esta hora, não apresentam demoras. O trânsito apresenta grande fluidez. Também não há noticia de quaisquer acidentes…Atenção! Informação de última hora: O Mário Lino partiu em excesso de velocidade para a carreira de ator e o aeroporto “jamais” será construído seja na margem sul seja no raio que a parta esta malta das grandes obras e da megalomania dos energúmenos que sabem lá do assunto e mais do TGV de passageiros e das autoestradas paralelas da nação, e de estádios à dezena e de estudos e luvas para advogados, para consultores, para engenheiros e para doutores, rotundas e pavilhões, piscinas e inaugurações e toda a panóplia de dislates desde o Tejo ao Eufrates. Austeridade meus senhores! Austeridade e juízo na cabeça!

02/10/13

Torga (planta silvestre mais conhecida por urze)

Quase um poema de amor
.
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.

Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor

Miguel Torga


29/09/13

Deserto de Ideias

Poder-se-á perguntar porque quererá alguém guiar milhares de quilômetros para chegar ao meio de nada, porque será que a companhia de milhares de milhões de toneladas de areia e de meia dúzia de dromedários, faz quem quer que seja trocar o conforto da sua casa por uma humilde tenda, plantada debaixo de um sol abrasador, porque beberá alguém chá quente quando todos os outros querem água gelada, o que fará alguém partir se é tão mais confortável ficar… 

Poder-se-ia dizer que a lua cheia, no deserto, tem uma beleza extraordinária, que o sol se levanta e se põe como em nenhuma outra parte e que a dança da areia, embalada pelo vento, no topo das dunas, compete, em charme e encanto, com os olhos verdes de uma jovem autóctone numa disputa que nos faz hesitar entre o prazer de sentir a brisa do final da tarde e mil e uma noites de sonhos e lendas de mouras encantadas. 

Fazer-se-ia poesia com facilidade:


Deserto de ideias

Nestas paragens, se se quisesse. 
Sonhar-se-ia, longamente, se se insistisse. 
Perder-nos-íamos rapidamente...
Se avançássemos sem olhar para trás. 

Mas nada, absolutamente nada, 
nos poderia dar o prazer infinito de, 
ainda que por breves instantes,
nos perdermos, de facto, 

Deixarmos de facto, 
de ter preocupações na mente, 
de sentir, ainda que por um bocadinho, 
um verdadeiro deserto de ideias...

Como se fossemos, 
cabeças de areia e de vento, 
Sem ansiedades, 
Sem preocupações, 
Sem compromissos ou ralações. 

Por instantes somos apenas o corpo 
que nos trouxe longe,
Para da nossa cabeça
longe ficarmos.

Deserto de ideias
Da nossa cabeça
Que deserta de ideias
Coisas insiste lá pôr.

Shiu não façam barulho
Quero distância desse engulho
Não vá a minha cabeça acordar
E pôr-me o corpo a trabalhar.

Desporto Raínha (2)

Ele é Milão, é Barcelona, é Paris, é Madrid, é Mónaco, esta malta que está na moda, mais tarde ou mais cedo, dá nisto, brinquinhos, cabelinhos de menina, fitinhas no cabelo, malinhas e pochetes Louis Vuitton, Agatha Ruiz de la Prada, Dior e o camandro, fazem filhos sem mães, com a mesma facilidade com que fintam os defesas que lhes apertam as vergonhas, se o senhor árbitro não estiver a ver, e que lhes saltam para as costas sem falta sempre que podem. Por este andar ainda os voltamos a ver jogar à bola vestidos de rosa-bebé...Homessa!

28/09/13

esquerdalhas e a faschizoides (1)

É praticamente impossível, a esquerdalhas e a faschizoides, não achar, verdadeiramente, piada a esta carinha laroca.

O papá do fascismo talvez fosse o mais vaidoso de todos os ditadores.

Claro está que as ditaduras levam a cabo o culto da personalidade dos ditadores, mas nenhum, como Mussolini, terá daí retirado tanto prazer, nenhuma outra propaganda terá servido tanto qualquer hedonismo como o desta efeminada criatura, com voz delicada de barítono, que sabia fazer cara de mau e que terá pedido, quando ia ser executado, que lhe metessem uma bala no peito, para que o seu perfil não fosse estragado.

Talvez não tivesse sido necessário pois, seguramente, que os Partigiani, da resistência italiana, não quereriam estragar-lhe a linda fronte, tanto mais que o seu corpo e o de Clara, companheira devotada que escolheu ser executada com o Il Duce, ficaram expostos à execração pública, uma espécie de passagem de modelos, durante vários dias, numa praça de Milão, que havia, até aos nossos dias, de se manter a capital da moda italiana.

22/09/13

Desporto Raínha


Não bastavam os brinquinhos, os cabelinhos de menina, as fitinhas no cabelo, as malinhas e as pochettes Louis Vuitton, Agatha Ruiz de la Prada, Dior e o camandro, estas "Superstars" ainda tem a mania de festejar golos apalpando os rabos uns dos outros, saltando, de perninha aberta, para os colinhos uns dos outros, saltando, que nem umas malucas, uns para cima dos outros, engraxando os sapatinhos uns aos outros, perfilando-se, juntinhos a dançar, efeminadamente, como se embalassem bebés, e vá lá, muito de vez em quando lá aparece um, ou outro, que dá mortais que, parecendo mais de homem e tal, podia, perfeitamente, ser a reacção de uma colegial mais expedita, na classe de ginástica acrobática para adolescentes promissoras, em matéria de rabinhos e maminhas! Por este andar ainda os vemos a ter cenas de sexo explícito, em campo. Bom, pelo menos os estádios estavam sempre cheios mesmo que o futebol praticado continuasse a prestar para coisa nenhuma! Homessa!

21/09/13

Palavras leva-as o tempo!

Vícios de escrita, vício de escrever que é agir para tentar não perder tudo aquilo em que penso. Tarefa árdua amaina num medronho, num café e numa cigarrilha. 

Consciente do meu microcosmos embrenho-me nele inebriado, a fervilhar. A Parkinson não me leva que é de lá que eu venho!

Os livros que lí voltam à latrina, aqueles dias que os lí a cagar, não por não ter sofrido para os ler mas porque a ida ao ato é um tempo, como outro qualquer, bom para ler . 

Escrever tem outra classe, um bocadinho mais que a quarta, e os maneios dos meus ídolos das letras parecem correr-me as veias como uma ténia, um parasita, simbiótico porém que transtorna, que afasta as pálpebras e faz aumentar a pressão do meu indicador com o meu polegar. A pena, espartilhada entre dedos, esvaí-se em liberdade feita tinta azul de bic laranja escrita fina debotada do suor dos meus dedos, que se encontra com o da minha testa, algures, numa pagina escrita, nas pazes feitas com um personagem, na sensualidade de um diálogo ou na descrição de uma cena de faca e alguidar que se confunde com um jogo entre solteiros e casados em dia de são nunca, pela tardinha noite. 

Esfuma-se o tempo entre os dedos que aterra nas palavras ditas de bem longe das miudezas de uma vida quase banal, a espaços!